Nasci feio. O choro não ajudou tão pouco. Nem sei
como não fui abandonado. Cresci com o som das máquinas de escrever e das
disquetes em DOS. Joguei ao Prince e dancei ao Prince. Tirei o curso de Línguas
e Relações Internacionais e aprendi a dizer asneiras em várias línguas.
Trabalhei para comer e trabalhei para comprar tralha. Estou a tirar o curso de
Ciências da Comunicação para aprender a dizer asneiras na Rádio e na Televisão,
sem esquecer o Jornal e os Sítios web.
Gosto de mim, gordo ou magro, sou giro, a minha
mãe confirma a quem duvidar. Quando era pequeno queria ser polícia quando fosse
grande, mas nunca passei de um metro e setenta.
Gosto de coisas bem-feitas, de coisas e de mulheres. Não gosto muito de política, porque penso que mentir não devia ser ciência. Não gosto de guerra,
porque acho que quem zanga devia pedir desculpa, não matar. Sou ateu desde que
nasci mas acredito no poder placebo da religião. Não temo Deus, temo a minha
consciência. Gosto de ler e coisas cultas, como jogar às damas e fumar
cachimbo. Gosto de ver filmes e comer pipocas. Gosto de comer pipocas sem
filmes e gosto de pipocas, pipocas. Encontro piada ao nome pipoca, é fofo. Também
sou fofo. É quase tudo.
Escrito por Guilherme Costa, número mecanográfico
44879
